Pular para o conteúdo principal

os reclames

foto: Elenize Desgeniski
Os estudantes de artes cênicas Larissa Lima e Fernando Perri (Ringo) varreram o silêncio e o vazio pós-cenas


A dupla Larissa Lima e Fernando Perri, leia-se Ringo, comandou os entreatos nas cinco noites de apresentações dentro da IV Mostra Cena Breve Curitiba - A Linguagem dos Grupos de Teatro. O intervalo, ou o "reclame", como se dizia antigamente, numa referência televisiva ou radiofônica, duraram em média dez minutos. Esse recurso de "entreter" soa contraditório à proposta do encontro, seu pendor para a reflexão. Mal terminava uma cena, e lá vinha o "bingo", a "corrida", a "disputa", uma dispersão automática que emperrava a fruição daquilo que acabamos de ver/receber no palco ou na área externa ao teatro. Larissa e Ringo são carismáticos, ok. Mas a fixação dos organizadores em "preencher" o tempo conspira contra as descobertas que poderiam advir do silêncio, do vazio ou do coxixo com o vizinho da poltrona sobre o que se testemunhou.

Comentários

Eduardo Simões disse…
desde que não extinguam o escambo, por mim tudo bem.

aliás, as trocas deveriam ser realizadas com mais tempo, talvez em um stand fixo. acho a idéia genial!

Só pra constar, a Larissa e o Ringo são atores profissionais!

Legal você sugerir idéias pra aprimorarmos este espaço de trocas!!!

Marcia
Marcia,
perdão pelo escorregão. e salve salve os atores LARISSA e RINGO!!!
nosso abraço!

Postagens mais visitadas deste blog

Ronca o rancor

Princesa Ricardo (Marinelli) critica e escarnece da onda reacionária  }  Elenize Dezgeniski Provérbios, chavões, lugares-comuns, tanto faz, eles abundam na figura da Princesa Ricardo em “Das Tripas Coração”, arremedo de ópera-bufa em que o performer Ricardo Marinelli captura pela unha a narrativa reacionária que o Brasil nunca viu tão descarada. E dela escarnece apoiada nos vícios de linguagem. Funciona muito bem a analogia dos excessos diante da realidade transbordante, da virulência com que as vozes conservadoras perderam os pudores na desqualificação do diferente. A cena desossa o senso comum e abre outras portas para mostrar que os significados (das coisas, das vidas, das palavras) sofrem um desgaste sem precedentes no atual quadro sociopolítico. Texto-depoimento e ações podem soar literais ou desarmônicas, permitindo ao espectador um exercício permanente de verificar os anacronismos entre fala e expressão corporal que chamam ao pensamento crítico. Para essa figura...

Zona erógena e cócegas

Cena  parte de texto de catalão e é dirigida por André Carreira }  Elenize Dezgeniski Em “Romeu e Julieta”, o frei Lourenço afirma que “Esses prazeres violentos têm finais violentos/ E, em seu triunfo, morrem como o fogo e a pólvora./ Que se consomem quando se beijam”. Para além do fundo histórico e social da tragédia, a impossibilidade da consumação do amor juvenil em Shakespeare talvez nos diga mais sobre a sabotagem dos desejos na contemporaneidade. Um prolongado beijo entre personagens que se dizem irmãos, ele e ela, é um dos múltiplos ruídos propositalmente desestabilizadores em “La Belle Merde”, do Grupo Teatral (E)xperiência Subterrânea, de Florianópolis. A objetividade científica da forma expositiva vem associada à apresentação de seminário ou conferência que aparenta se passar em sala de convenção ou sala de aula, ainda que sugira a neutralidade de um ambiente com uma cadeira e uma mesa discretas, além da luz invariável. Os atores Lara Matos, Lucas Heymanns e Mar...

Sem pena

O performer Zé Reis na provocadora cena 'Pós-Frango'  }  Elenize Dezgeniski A objetificação da mulher é tão brutal na sociedade machista que quando ocorre o inverso – o corpo masculino tratado como carne na vitrine –, poucos se dão conta. A performance Pós-frango faz uma articulação estética e filosoficamente bem urdida dessa espécie de contradição. O ator e dançarino Zé Reis, da companhia brasiliense Errante, perpassa imagens figurativas e disruptivas. Pelado, ele alude a estereótipos e convenções a partir de um corpo escultórico, evidenciando músculos que servem ao gogo boy ou ao fisiculturismo. E à arte, claro. Como as aparências enganam, mas, enfim, aparecem – já dizia Leminski –, os desfazimentos dessa plasticidade fútil por volumes e relevos outros tornam as suspensões poeticamente forjadas nesse mesmo corpo sobreposições maleáveis e sofisticadas desse mesmo material capturado do registro grosso da paisagem urbana. Estendido de uma ponta à outra na dianteira do pal...